As Farmácias, essencialmente microempresas, muitas das vezes familiares, não têm estrutura para suportar os impactos das sucessivas medidas de redução de custos na área do medicamento e têm visto a sua situação económica e financeira degradar-se rápida e drasticamente nos últimos anos. Este facto é facilmente comprovado pela queda de rendibilidade apresentada nos dados do Banco de Portugal e pela degradação da relação económica e financeira com os seus principais fornecedores. As empresas Grossistas apresentam uma estrutura de negócio baseada em grandes quantidades, grandes números em termos de volume de vendas mas margens operacionais significativamente reduzidas.
Assim e em resultado da débil situação económica e financeira qualquer medida tem um impacto à escala. A generalidade da Indústria Farmacêutica apresenta grandes volumes de vendas com índices de rendibilidade superiores à média das actividades comparáveis, e, em muitos casos, estão suportadas por sólidas estruturas internacionais capazes de amortecer o efeito da maioria dos impactos legislativos.
A crescente pressão regulamentar e legislativa sobre toda a área do medicamento, nomeadamente as consecutivas baixas administrativas no preço dos medicamentos, têm tido sérias repercussões na actividade económica de todos os agentes do sector que, no entanto, devido às diferentes dimensões e estruturas financeiras têm capacidades muito distintas de suportar constantes alterações às regras do mercado. De acordo com os dados do Banco de Portugal, de 2006 a 2009, comparativamente com outras áreas de actividade, apenas a Indústria Farmacêutica apresenta os resultados de rendibilidade operacional e de rendibilidade líquida em linha ou superiores às demais áreas de actividade. Os Grossistas e as Farmácias, onde se concentram a maioria das empresas e dos recursos humanos empregues na área do medicamento, apresentam índices de rendibilidade inferiores à generalidade das actividades comparadas. A análise sistemática dos principais indicadores económicos e financeiros da Indústria Farmacêutica, dos Grossistas e das Farmácias, suportada numa aprofundada revisão bibliográfica, conduziu este Estudo a conclusões bem diferentes.
Face a muito do que se diz e escreve nos media, a primeira das grandes conclusões é o facto das farmácias portuguesas apresentarem uma das menores margens sobre o preço do medicamento, quando comparadas com a realidade das congéneres europeias. Este facto está comprovado e relatado pela OCDE, pela Federação Europeia da Indústria Farmacêutica a pelo próprio Parlamento Europeu. Tradicional e quase culturalmente o Medicamento em Portugal é considerado como um sector que movimenta e distribui milhões de euros por todos os seus intervenientes.
A Universidade de Aveiro, a Ernst & Young e a Oliveira, Reis & Associados, SROC, Lda concluíram um estudo sobre a situação económico-financeira no circuito do medicamento tendo este sido realizado com o objectivo de caracterizar a recente evolução da situação económica e financeira dos principais intervenientes do circuito do medicamento em Portugal, com particular enfoque no sector das farmácias.










